Editorial, 16(3), 2026

Autores

Palavras-chave:

Editorial

Resumo

REUNIR: Revista de Administração, Contabilidade e Sustentabilidade

www.reunir.revistas.ufcg.edu.br – ISSN: 2237-3667

EDITORIAL 16(3), 2026 

 Administração, Contabilidade e Sustentabilidade: novas perspectivas para a gestão, a transparência e a criação de valor

A crescente complexidade dos ambientes organizacionais, as transformações nas relações econômicas e sociais e a necessidade de incorporar a sustentabilidade aos processos decisórios têm ampliado os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento científico nas áreas de Administração, Contabilidade e Sustentabilidade. Nesse contexto, a produção de conhecimento assume papel fundamental na compreensão dos fenômenos contemporâneos, especialmente daqueles relacionados à governança, à transparência, à responsabilidade socioambiental, à inovação e à criação de valor para as organizações e para a sociedade.

É com satisfação que apresentamos o Volume 16, Número 3, de 2026, da REUNIR: Revista de Administração, Contabilidade e Sustentabilidade, composto por 12 artigos científicos que abordam diferentes dimensões da gestão organizacional e pública, das práticas contábeis e dos desafios associados ao desenvolvimento sustentável. A presente edição reúne investigações com distintas abordagens teóricas e metodológicas, evidenciando a pluralidade de perspectivas que caracteriza o campo das ciências sociais aplicadas e a importância da produção científica para subsidiar decisões e orientar práticas organizacionais mais responsáveis, transparentes e sustentáveis.

O primeiro artigo, intitulado “Empreendedorismo Estratégico em Micro e Pequenos Negócios Sustentáveis da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte”, de Cleide Machado Bleck e Marcela Barbosa de Moraes, investiga como micro e pequenas empresas sustentáveis identificam oportunidades e constroem vantagens competitivas por meio do empreendedorismo estratégico. A partir de um estudo qualitativo envolvendo sete organizações, as autoras evidenciam a relevância das competências técnicas, dos conhecimentos tácitos, da inovação sustentável, da gestão estratégica de recursos e das redes colaborativas para a criação de valor econômico, social e ambiental. A pesquisa contribui para a compreensão da sustentabilidade como elemento integrado à estratégia competitiva dos pequenos negócios.

Na sequência, o artigo “O Papel da Empatia na Promoção da Responsabilidade Social Corporativa em Instituições Financeiras: Uma Análise Qualitativa”, de Mariane Lemos Lourenço e Silvia Daiane Bonfada, examina a influência da empatia nas decisões relacionadas à responsabilidade social corporativa. Os resultados destacam que a incorporação de práticas organizacionais orientadas pela empatia contribui para conciliar objetivos financeiros e impactos socioambientais, fortalecendo o engajamento dos colaboradores, a reputação institucional e a geração de valor sustentável. O estudo evidencia, ainda, os desafios impostos pelas pressões por resultados de curto prazo e pelas barreiras culturais existentes nas organizações.

Ampliando o debate sobre sustentabilidade empresarial, o terceiro artigo, “Sustentabilidade nas Cadeias de Suprimentos: Cultura Organizacional, Pressões Institucionais e Complexidade na Percepção de Riscos em Empresas Brasileiras”, de André Luiz Romano, investiga fatores associados à percepção de riscos de sustentabilidade em 152 empresas brasileiras. Os achados ressaltam a influência das pressões institucionais, particularmente coercitivas e miméticas, e da cultura organizacional na interpretação desses riscos. A pesquisa oferece contribuições para o aprimoramento da gestão estratégica das cadeias de suprimentos e para o fortalecimento de práticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente aqueles relacionados à inovação e ao consumo e produção responsáveis.

O quarto artigo, “Economia Circular e Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: Uma análise bibliométrica da produção científica”, de Milton Jarbas Rodrigues Chagas, Sabrina Ribeiro de Almeida, Antonio Rafael Valério de Oliveira e Kaylane Emanuelly de Moura Silva, apresenta um panorama da produção científica internacional sobre economia circular e sua relação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Por meio de uma análise bibliométrica de 336 artigos publicados entre 2015 e 2022, os autores identificam tendências, redes de colaboração científica e oportunidades de investigação. Os resultados reforçam a crescente relevância da economia circular como abordagem estratégica para promover a eficiência na utilização de recursos e contribuir para o desenvolvimento sustentável.

No campo da gestão pública e das relações de trabalho, o quinto artigo, “A percepção da qualidade de vida no teletrabalho por parte dos Servidores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte”, de Ana Priscilia Lima Leite e Antônio Alves Filho, analisa as condições de qualidade de vida percebidas por servidores públicos em regime de teletrabalho. Os resultados demonstram avaliações positivas relacionadas à autogestão, à infraestrutura e à tecnologia, mas identificam desafios associados ao suporte institucional e à sobrecarga de trabalho. A investigação oferece subsídios relevantes para a formulação de políticas de gestão de pessoas, especialmente quanto à necessidade de assegurar condições adequadas de trabalho, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e fortalecimento das práticas de liderança no ambiente digital.

A gestão ambiental das organizações constitui o eixo central do sexto artigo, “Diagnóstico do Gerenciamento de Resíduos Sólidos e Semissólidos em Empresas de Reciclagem do Pólo Industrial de Manaus”, de Valdenice Vilagelin de Sousa e Suzy Cristina Pedroza da Silva. O estudo examina práticas de gerenciamento de resíduos em empresas de reciclagem situadas no contexto amazônico, identificando fragilidades relacionadas ao planejamento, à capacitação, à comunicação interna e à infraestrutura operacional. Os resultados evidenciam a importância da estruturação de sistemas de gestão ambiental e do fortalecimento de mecanismos de controle e conformidade para ampliar a eficiência dos processos e reduzir impactos socioambientais.

As relações entre sustentabilidade corporativa, governança e desempenho econômico-financeiro ganham destaque no sétimo artigo, “Práticas ESG e Desempenho Financeiro: Evidências da B3”, de Maria Rickaely de Andrade Silva e Tricia Thaíse e Silva Pontes. A pesquisa analisa 60 companhias brasileiras listadas na B3, no período de 2012 a 2019, investigando a relação entre os pilares ambiental, social e de governança e indicadores financeiros. Os resultados revelam comportamentos distintos entre as dimensões ESG, com associação negativa entre o componente ambiental e o lucro por ação, ausência de significância estatística para a dimensão social e associação positiva da governança com esse indicador. Tais evidências ressaltam a complexidade da relação entre sustentabilidade e desempenho financeiro e a necessidade de considerar os diferentes horizontes temporais e contextos organizacionais na avaliação dessas práticas.

A transparência e a qualidade da informação contábil no setor público são discutidas no oitavo artigo, “Quando meias palavras não bastam: análise da legibilidade das notas explicativas das demonstrações contábeis públicas das regiões norte e nordeste do Brasil”, de Caio Chandler Antunes de Castro, Francisco Felipe Ramos Rodrigues Lima, Roberto Sérgio do Nascimento e Jetro Coutinho Missias. A pesquisa examina a legibilidade das notas explicativas divulgadas pelos estados dessas regiões entre 2014 e 2023, identificando dificuldades na compreensão das informações, excesso de conteúdo pouco útil e descontinuidade na elaboração dos documentos. O estudo destaca que a transparência pública não depende exclusivamente da disponibilização de dados, mas também de sua clareza, acessibilidade e capacidade de favorecer o controle social e a accountability governamental.

Em perspectiva complementar, o nono artigo, “Intensidade de Ativos Complexos e seus Efeitos na Legibilidade e no Tom das Notas Explicativas de Empresas Listadas na B3”, de Miguel Rodrigues e Donizete Reina, investiga os efeitos da presença de ativos biológicos e intangíveis sobre a linguagem utilizada nas informações contábeis divulgadas pelas companhias. Os resultados indicam associação positiva entre a intensidade de ativos biológicos e a legibilidade, enquanto a intensidade de ativos intangíveis está relacionada a um tom menos positivo, especialmente em empresas mais alavancadas. A pesquisa amplia o debate sobre qualidade informacional, evidenciando a importância de compreender não apenas o conteúdo das divulgações, mas também a forma como as informações são comunicadas aos usuários.

O décimo artigo, “Pagamentos Baseados em Ações e Agressividade Tributária das Empresas Não Financeiras Listadas na B3”, de Zhara Helou Ribeiro de Castilho e Lúcio de Souza Machado, examina a associação entre mecanismos de remuneração de executivos e práticas tributárias de companhias brasileiras. Com base em dados de 310 empresas, entre 2019 e 2023, os autores identificam associação estatisticamente significativa entre pagamentos baseados em ações e maior agressividade tributária quando mensurada pela alíquota efetiva de imposto, embora essa relação não tenha sido confirmada pela medida de alíquota efetiva de caixa. Os achados contribuem para as discussões sobre governança corporativa, incentivos gerenciais, planejamento tributário e mecanismos de alinhamento de interesses entre gestores e acionistas.

Retomando a agenda da sustentabilidade corporativa, o décimo primeiro artigo, “O que explica a divulgação ESG? Um estudo com empresas brasileiras listadas na B3”, de Maria Auxiliadora de Oliveira Morais, Daniel Barboza Guimaraes, Vera Maria Rodrigues Ponte e Marcelle Colares Oliveira, investiga fatores financeiros, estruturais e mercadológicos associados aos níveis de divulgação ESG. A partir de dados de 103 companhias não financeiras, referentes a 2023, a pesquisa identifica o valor de mercado, o porte organizacional e a quantidade de ações em circulação como variáveis relevantes para diferenciar os níveis de transparência ESG. Os resultados indicam a importância da visibilidade das organizações e das pressões do ambiente externo na divulgação de informações socioambientais e de governança.

Encerrando a edição, o décimo segundo artigo, “O impacto das práticas sustentáveis na performance financeira das ações em IPOs: Uma revisão da literatura”, de Rosangela Medina e Michele Nascimento Jucá, apresenta uma revisão bibliométrica e sistemática da produção científica sobre a relação entre sustentabilidade e desempenho financeiro de ações em processos de oferta pública inicial. A investigação sistematiza tendências, abordagens teóricas, procedimentos metodológicos e lacunas de pesquisa, oferecendo uma agenda de investigação para o aprofundamento desse campo. Suas contribuições alcançam pesquisadores, empresas, investidores e reguladores interessados nas relações entre práticas sustentáveis, decisões de investimento e funcionamento dos mercados de capitais.

Considerados em conjunto, os artigos desta edição evidenciam que a sustentabilidade, a governança e a transparência não devem ser compreendidas como dimensões isoladas da atuação organizacional, mas como elementos interdependentes de processos mais amplos de gestão, responsabilização e criação de valor. As pesquisas demonstram, igualmente, que a qualidade das decisões organizacionais depende da articulação entre capacidades gerenciais, mecanismos de controle, práticas éticas, informações relevantes e compromisso com os diferentes grupos de interesse.

Outro aspecto relevante desta edição refere-se à diversidade metodológica das investigações, que contemplam estudos qualitativos, análises documentais, levantamentos quantitativos, modelos econométricos, análises de conteúdo, procedimentos bibliométricos e revisões sistemáticas da literatura. Essa pluralidade fortalece a capacidade explicativa dos estudos e contribui para ampliar o diálogo entre diferentes tradições científicas, abordagens teóricas e contextos institucionais.

Ao reunir pesquisas que abrangem micro e pequenas empresas, instituições financeiras, cadeias de suprimentos, organizações industriais, entidades públicas e companhias de capital aberto, a REUNIR reafirma seu compromisso com a disseminação de conhecimento científico relevante e com o fortalecimento do debate interdisciplinar. Os estudos apresentados nesta edição não apenas contribuem para o avanço da literatura, mas também oferecem evidências e reflexões que podem subsidiar práticas gerenciais, aperfeiçoamentos institucionais e novas agendas de pesquisa.

A publicação deste número representa, portanto, mais uma contribuição da REUNIR para a consolidação de um espaço científico comprometido com a produção, a divulgação e a circulação do conhecimento nas áreas de Administração, Contabilidade e Sustentabilidade. Em um cenário marcado por transformações econômicas, sociais, ambientais e tecnológicas, torna-se cada vez mais necessário fomentar investigações que questionem pressupostos, identifiquem desafios e apresentem possibilidades concretas de melhoria das organizações e da sociedade.

Por fim, expressamos nossos agradecimentos aos autores, avaliadores, editores associados e demais colaboradores que contribuíram para a construção desta edição. O comprometimento desses atores é indispensável para a continuidade das atividades editoriais, para o fortalecimento da qualidade científica dos trabalhos publicados e para a ampliação do alcance da revista no meio acadêmico.

Desejamos a todos uma excelente leitura e esperamos que os estudos publicados neste volume inspirem novas reflexões, investigações e práticas capazes de contribuir para uma gestão mais eficiente, transparente, inovadora e sustentável.

 

Boa leitura!

Equipe Editorial

Dr. José Ribamar Marques de Carvalho – Editor Chefe-Responsável

Dr. Kevin Ferreira Corcino – Editor Associado

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

José Ribamar Marques de Carvalho, Universidade Federal de Campina Grande

Pós-Doutor em Ciências Contábeis (PPGCC UNISINOS). Doutor em Recursos Naturais. Mestre em Ciências Contábeis. Professor da Unidade Acadêmica de Ciências Contábeis e Administração. Professor Permanente do Mestrado Profissional em Administração Pública em Rede Nacional - PROFIAP/UFCG.

Downloads

Publicado

2026-10-24

Como Citar

Carvalho, J. R. M. de. (2026). Editorial, 16(3), 2026. REUNIR Revista De Administração Contabilidade E Sustentabilidade, 16(3), i-iv. Recuperado de https://reunir.revistas.ufcg.edu.br/index.php/uacc/article/view/2155

Edição

Seção

Editorial

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

<< < 1 2 3 4 5 > >> 

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.